A peça Um Certo Van Gogh esteve em Maceió pra uma única apresentação no dia 31 de maio deste ano. No elenco, quatro jovens atores dividiam o palco entre eles o galã global Bruno Gagliasso. Como já era de se esperar o teatro Gustavo Leite lotou, a maioria eram adolescentes, então pensamos: “Bom, muito bom ver o teatro assim, cheio de gente jovem!”
Quem tem costume de ir ao teatro sabe das recomendações que são feitas antes de qualquer espetáculo começar, neste não foi diferente, há não ser pela ênfase que a produção do espetáculo deu ao dizer três vezes ao público que era proibido o uso de máquina fotográfica e celulares com câmera... Resumindo, em hipótese alguma poderia tirar foto durante a peça. Assim que as cortinas se abriram e uma luz forte ascendeu bem em cima do galã imediatamente o teatro ecoou com os suspiros das “tietes” do ator, a princípio até que foi engraçado, mas os suspiros continuavam a cada novo movimento de Bruno, que estava realmente brilhante no palco, mas não por sua beleza.
A peça traz um texto complexo, difícil e emocionante. Cada ator interpreta dois personagens, a vida de quatro jovens se fundia com a história do memorável pintor Van Gogh (papel de Bruno Gagliaso), havia momentos em que era difícil distinguir uma história da outra. Os atores estavam em uma sintonia perfeita no palco, quando de repente: -“Para, para, assim não dá!” Alguém estava tirando fotos! Como assim? Depois de três avisos! Os atores pararam a peça e foi constrangedor, um deles ainda pediu para que a pessoa se retirasse, chegou a dizer que só continuaria a peça se ela fosse embora fotografar em casa, algumas pessoas na platéia se manifestaram e um “sai” foi ouvido de certos extremos do teatro. A situação ficou resolvida e a peça continuou exatamente de onde parou.
Impressionante como eles conseguiram voltar à peça do mesmo ponto em que pararam e com o mesmo pique. Eu, definitivamente não teria conseguido, sendo uma simples expectadora já foi difícil voltar à atenção, que já estava complicada devido aos suspiros e fuxicos.
“Ah, mas não precisava daquilo tudo!”... “Quem aquele cara pensa que é?” Era o que dava pra ouvir quando a peça já havia terminado, então pensei – “Se eu entrevistar essas meninas sobre o que elas acharam da peça o que será que elas irão me responder? Provavelmente que o Bruno Gagliasso é um gato e blá blá blá...” A verdade é que dava pra ter plena certeza de que aquela maioria de adolescentes não faziam idéia alguma de quem era Van Gogh, pra não ser tão radical assim, algumas poderiam até saber que ele era “um pintor ai”, dessa informação não passava. Quer dizer então que só se vai ao teatro com a intenção de ver o “bonitão da novela das seis”? É no mínimo vergonhoso chegar a essa conclusão.
No domingo do dia 25 de maio, o jornal Gazeta de Alagoas publicou uma matéria que falava das dificuldades que os produtores culturais encontram para trazer grandes espetáculos à cidade, mas só eram citadas dificuldades como a falta de espaço e conseqüentemente a falta de verba para construir um teatro adequado. Pois é, esqueceram de contar com a falta de cultura das pessoas, talvez porque se sentiram como eu, incapazes de acreditar que o jovem maceioense não saiba o que esta palavra significa de fato. Então vamos refletir, se o jovem é o futuro, será que realmente valeria a pena gastar dinheiro publico pra construir um teatro lindo e maravilhoso, trazer espetáculos de alto escalão pra a maioria nem saber pra onde estar indo, apenas saber que vai ver o fulano da novela da globo? E o que será do futuro dessa cidade? Bom, se hoje ainda se encontra pessoas que acreditam que Djavan é carioca... O futuro maceioense dá medo!
sexta-feira, 13 de junho de 2008
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